O Mundo de Qamareth
Um continente dividido, onde a harmonia foi silenciada — mas não apagada.Qamareth é um continente vasto e fraturado, onde o Império da Luz Eterna governa com mão de ferro após décadas de expansão militar, manipulação histórica e supressão religiosa. A fé antiga — o Harmonium — foi declarada heresia, seus templos destruídos, seus sacerdotes caçados. Hoje, o povo vive entre o medo da repressão imperial e as promessas nem sempre limpas de uma rebelião cada vez mais radical.
A pergunta que paira sobre tudo é simples e brutal: quem pode ser confiável?
O Estado do Continente
O Império ocupa a maior parte do território habitado de Qamareth. Suas fronteiras se expandiram geração após geração, absorvendo reinos menores, federações de cidades e territórios tribais. O que não foi conquistado pela espada foi cooptado pela economia ou pela propaganda. Raras são as regiões que mantêm alguma autonomia real — e mesmo essas pagam tributos e vivem sob a sombra dos inquisidores.
O tecido social é profundamente marcado por duas gerações de controle imperial. A maioria das pessoas nunca conheceu o Harmonium como fé viva. Para elas, é lenda — ou heresia. A Igreja da Luz Eterna, religião estatal obrigatória, preencheu o vazio com um culto ao Deus-Imperador tão pervasivo que muitos sinceramente acreditam nele.
— Bjorn Escudoverde, líder de Capolus
As Forças em Conflito
O Império da Luz Eterna
Um regime autoritário sustentado sobre quatro pilares: força militar, controle religioso, vigilância e burocracia. O Deus-Imperador — figura quase mitológica, não visto em público há décadas — é adorado como divindade viva. Seu Conselho dos Ascendentes governa em seu nome com poderes quase absolutos.
Agentes temidos que caçam dissidentes, hereges e qualquer ameaça ao estado. Operam acima da lei comum.
Tropas treinadas com magitech avançado. Patrulham cidades, fronteiras e rotas comerciais.
Controlam os registros históricos e a versão oficial dos fatos. A história que existe é a que eles permitem.
Religião estatal obrigatória. Festivais públicos, rituais de lealdade e doutrinação desde a infância.
A Rebelião
Fragmentada, ideologicamente instável e moralmente ambígua. A rebelião não é um exército — é uma constelação de células com objetivos distintos e frequentemente conflitantes. Alguns lutam por liberdade genuína. Outros por vingança pessoal. Outros por poder no vácuo que um Império caído deixaria.
Algumas células não hesitam em sacrificar inocentes se isso significa atingir o Império. Outras têm motivações puramente espirituais ou buscam legitimamente ajudar o povo. Confiar em qualquer aliado rebelde é um ato de fé — literalmente.
O Harmonium
A fé antiga. Perseguida, mas não extinta. É o único verdadeiro bem estrutural do cenário — tudo mais opera em tons de cinza ou está corrompido. O Harmonium ensina que o universo é uma grande sinfonia, que cada ser tem um papel nela, e que a harmonia entre os deuses e os mortais é possível e necessária.
Hoje, ele sobrevive em sussurros. Em templos escondidos. Em melodias cantadas baixinho, de memória, por pessoas que nunca viram um sacerdote e ainda assim preservaram a fé passando de geração em geração.
Personagens de Relevo
Corina — Rainha Mercadora de Olynn
Aliada dos heróis, mas com interesses próprios inegáveis. Funciona num espaço de tensão permanente: tem poder suficiente para ajudar a rebelião e razões suficientes para trair quando for conveniente. Não é má — é pragmática num mundo que pune a ingenuidade.
Bjorn Escudoverde — Líder de Capolus
Luta para proteger seu povo e a floresta. Não tem interesse em restaurar o Harmonium nem em construir um novo regime — quer sobrevivência e autonomia. Um aliado honesto, mas de horizonte limitado ao seu próprio território.
Alto-Inquisidor Deloth
Um dos rostos mais visíveis da repressão. Confrontado pelos heróis em Capolus durante a defesa de um templo antigo do Harmonium. Representa a devoção fanática ao regime — não é apenas executor, mas verdadeiro crente.
As Grandes Questões
Qamareth não é um mundo de respostas fáceis. Seus dilemas são estruturais, não episódicos:
- Pode-se derrubar um Império sem se tornar o que se combate?
- A fé verdadeira pode sobreviver ao poder político — ou inevitavelmente o serve?
- O que se deve ao povo que sobreviveu doutrinado? Eles são vítimas ou cúmplices?
- Existe redenção para quem serviu o mal por ignorância? E para quem o fez sabendo?
Estas são as perguntas que o mundo faz aos seus heróis. E às vezes, não há resposta — apenas escolha.